quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Conto] RUBEM FONSECA – Passeio Noturno

Rubem Fonseca
                por Pedro Luso de Carvalho
        Antes de transcrevermos o conto Passeio noturno, vejamos o que dizia a crítica sobre Rubem Fonseca na época de sua publicação pela Editora Globo, em 1974.
         Considerado um mestre da moderna ficção brasileira (“um dos seus contos é dos melhores da literatura iniversal” – disse Wilson Martins), estreou em 1963 com Os prisioneiros, livro que já traduzia profundo rompimento com a tradição, principalmente quanto à forma; em 1965, publicou A coleira do cão e, em 1969, Lúcia McCartney, tido como “o mais importante livro de ficção brasileira dos últimos anos” (Sérgio Sant'Anna) e “como a mais notável obra literária brasileira desde Guimarães Rosa” (Francisco de Assis Barbosa); ainda em 1969, venceu o II Concurso Nacional de Contos do Paraná; em 1973, lançou seu primeiro romance, O Caso Morel.
        Dizia, ainda, a crítica, em 1974: a obra de Rubem Fonseca é forte nos temas e sobressai pela funcionalidade da linguagem. “Quase aliterário, ele consegue aproximar-se da verdade sem adornos, tocá-la e exprimi-la em sua manifestação mais crua” (Hélio Póvora). Para Laís Corrêa de Araújo, o texto de Rubem Fonseca “torna palpável a contudência da vida, o insólito, o grosseiro, o erótico, o cínico, o ambicioso e o angustiado que somos. Sua sintaxe é, assim, de golpes, assumindo uma tonalidade cáustica e uma tensão muscular quase patética”.
        José Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, e mora desde os seis anos no Rio de Janeiro.
        A seguir, a transcrição de Passeio noturno, de Rubem Fonseca, um dos contos que compõem o livro Os melhores contos brasileiros de 1973, Porto Alegre, Editora Globo, 1974, p. 179-181:


[ESPAÇO DO CONTO]
PASSEIO NOTURNO


(Rubem Fonseca)
       
       Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa-de-cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando empostação de voz, a música quadrafônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala? Perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar.
        Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?
       A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescidos, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.
       Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.
        Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu carro. Tirei o carro dos dois, botei na rua, tirei o meu e botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico, Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na Avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher?, realmente não fazia grande diferênça, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mail fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som das borrachas dos pneus batendo no meio-fio. Pequei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em onze segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de vermelho, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.
        Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.
       A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia. 
                                                                              * * * * * *


O Cobrador (Conto), de Rubem Fonseca

Análise da obra

O primeiro conto, "O Cobrador", que dá nome ao livro, é sobre um homem que sai pelas ruas cobrando o que lhe devem. O que lhe devem? Dignidade. Quem lhe deve? A sociedade. Na primeira cena, ele está em um consultório de dentista e se recusa a pagar a conta. Por que ele pagaria alguma coisa se ninguém lhe pagava a dignidade que ele merecia? E naquele momento ele declara que não faz mais parte daqueles que são cobrados, mas dos cobradores. Mesmo que se precise de uma arma para isso porque esse preço custa muita violência e radicalismo.

Neste conto Rubem Fonseca detalha os pensamentos de um serial killer que comete seus crimes por acreditar que a sociedade lhe deve algo. No ódio às classes mais abastadas, o ‘cobrador’ descobre o sentido de sua vida, passando a, seletivamente, matar seus ‘devedores’.

O personagem principal de "O Cobrador" não tem nome próprio, embora faça a narração toda na primeira pessoa.

O narrador e suas vítimas disputam dentro da narrativa quem será o mais astuto, e assim, ganhar o jogo de dominação existente na obra: no consultório dentário, há uma disputa entre o dentista e o Cobrador, que não quer pagar pelo serviço do outro e, apesar da diferença física, o narrador sobressai-se por estar armado; na rua, com o homem da Mercedes, a luta é pela preferência de passagem, que era para ser do carro, entretanto o Cobrador atira e fere o motorista; na situação em que se defronta com o vendedor de armas, engana-o pedindo para ver outro equipamento e assim, ter condições favoráveis de matá-lo.

O aspecto da manipulação das pessoas está sempre presente, contudo, o narrador não quer mais ser manipulado e pagar pelas coisas de que precisa. Opõe-se abertamente à sociedade capitalista e nesse sucessivo jogo de apoderação em que está envolvido, deixa transparecer a luta travada entre as classes sociais. O rico domina pelo dinheiro, enquanto o Cobrador, representante dos excluídos sociais, domina pela violência. Um exemplo é a cena do estupro: ele entra no apartamento, apenas amarra a empregada para que não o atrapalhe, porque seu interesse é única e exclusivamente estuprar a dona da casa, numa demonstração de força e poder inconfundíveis, principalmente, pelo fato de o narrador afirmar que a mulher sentiu prazer antes dele, quando normalmente nem prazer sentiria.

Outro exemplo, talvez até mais claro, são os assassinatos do executivo e de um casal. Nos dois casos, segue-se um embate discursivo, em que as vítimas tentam convencer o narrador a pegar o dinheiro e deixá-los em paz. Quando percebem que não dá certo apelam para o emocional, o executivo diz que tem mulher e três filhos e o casal de que a mulher está grávida do primeiro filho. Não obstante, o Cobrador está disposto a continuar sua cobrança, ainda mais que, para ele, as vítimas o achavam sem capacidade intelectual por ser um marginal:

Tirava o facão de dentro da perna quando ele disse, leva o dinheiro e o carro e deixa a gente aqui. Estávamos na frente do Hotel Nacional. Só rindo. Ele já estava sóbrio e queria tomar um último uisquinho enquanto dava a queixa à polícia pelo telefone. Ah, certas pessoas pensam que a vida é uma festa”. (FONSECA, 1997, p. 19);

Ela está grávida, ele disse apontando a mulher, vai ser o nosso primeiro filho. Olhei a barriga da mulher esguia e decidi ser misericordioso e disse, puf, em cima de onde achava que era o umbigo dela, desencarnei logo o feto. A mulher caiu emborcada. Encostei o revólver na têmpora dela e fiz ali um buraco de mina. (FONSECA, 1997, p. 21);

Vamos para sua casa, eu digo. Eu não moro aqui no Rio, moro em São Paulo, ele diz. Perdeu a coragem, mas não a esperteza. E o carro?, pergunto. Carro, que carro? Este carro, com a chapa do Rio? Tenho mulher e três filhos, ele desconversa. Que é isso? Uma desculpa, senha, habeas-corpus, salvo-conduto? Mando parar o carro. Puf, puf, puf, um tiro para cada filho, no peito. O da mulher na cabeça, puf. (FONSECA, 1997, p. 25)

Na narrativa há uma tentativa constante de dominar o outro, mas isso não acontece com o Cobrador, que no jogo da dominação vence seus “adversários” através da agressão, força, morte. Faz uso da violência para alcançar seu objetivo e justifica a sua pela do outro, visto que a rejeição social é a motivadora de seus ataques contra a sociedade. Esse sentimento aparece em alguns pontos do texto: "Era um homem grande, mãos grandes e pulso forte de arrancar os dentes dos fodidos" (FONSECA, 1997, p. 13); com isso, insere-se no grupo daqueles que não têm boas condições de vida, principalmente, quando o termo aparece novamente: "Na praia somos todos iguais, nós os fodidos e eles. Até que somos melhores pois não temos aquela barriga grande e a bunda mole dos parasitas" (FONSECA, 1997, p. 22); na frase: "Me irritam esses sujeitos de Mercedes" (FONSECA, 1997, p. 14); a referência é ao comportamento das pessoas que possuem um veículo desses. Na narrativa, o homem que dirige o carro buzina para que o narrador lhe dê passagem, este porém, entende que está sendo menosprezado e reage. Ainda para comprovar sua inserção no grupo de vítimas sociais, têm-se: "A mão dele era branca, lisinha, mas a minha estava cheia de cicatrizes, meu corpo todo tem cicatrizes, até meu pau está cheio de cicatrizes." (FONSECA, 1997, p. 15) e; "Sou uma pessoa tímida, tenho levado tanta porrada na vida" (FONSECA, 1997, p. 22); ambas as expressões deixam claro que ele se sente diferente dos demais. Na primeira frase, além das cicatrizes, afirma que a mão do outro era branca, fato que volta a aparecer quando vê Ana pela primeira vez: "Eu quero aquela mulher branca!" (FONSECA, 1997, p. 22); em momento algum existe referência à cor da pele do narrador, contudo, nestas frases, fica a suposição de que não é branco. Mais um motivo para sentir-se marginalizado.

O personagem (o cobrador) a princípio sofre porque se sente em débito consigo mesmo: não tem acesso aos objetos que possam lhe dizer quem ele é; ele não se sente um sujeito, já que se vê privado de tudo aquilo que cobra. Sem acesso aos objetos, torna-se ele mesmo um objeto sem valor, desqualificado, e a única saída é sua busca de qualificação como O Cobrador. Nesse papel, toma para si, simbolicamente, através da violência, o que lhe falta para subjetivar-se, ocupando o lugar do gozo que lhe diga respeito e que lhe é vedado.

O Cobrador faz também uma tentativa de ascese quando sua violência não é mais a esmo e sem vinculações sociais. Agora ele já tem um motivo para matar: ele se insere, com a ajuda da namorada politizada, num clã imaginário de despossuídos, que deverá conquistar à força, o que lhes falta em confronto com os possuidores.

O Cobrador não está livre para agir quando quiser, como se tem a impressão. Ele age com planos em mente, por mais que as coisas aconteçam inesperadamente, como acontece com a morte do motorista da Mercedes. Se o olhar estiver voltado para as suas vítimas, há então, uma outra perda da liberdade individual, porque as pessoas estão sujeitas às mais diversas formas de restrições, não só com referência aos ataques do narrador mas também em relação às atividades sociais desenvolvidas. Isso ocorre com os casais que entram na festa onde o Cobrador procura vítimas, todos entram na casa desejando um tratamento diferenciado, no entanto, são recebidos da mesma maneira.

Esses acontecimentos levam o homem a um sentimento de desencanto da vida e a uma sensação de vazio existencial. Vazio existencial que o Cobrador busca suprir com a tentativa de incitar uma revolução, uma luta para que o ser humano venha a ter um pouco mais de dignidade ou, pelo menos, seja respeitado em sua diferença.

“O Cobrador” levanta a questão da crise de identidade individual no princípio, para fechar com a crise de identidade coletiva; de um por um passa a matar coletivamente e com um objetivo definido: acabar com a distinção social.

O narrador é o representante dos marginalizados. Embora criminoso, resolve inverter o jogo e “justiçar” os detentores do dinheiro e do poder, culpando-os pela sua marginalidade. Essa revelação de estratos sociais diferenciados e a divisão em grupos dentro da mesma estratificação gera a “crise de identidade”. O Cobrador não tem um comportamento fixo e unificado. É um homem que, em momentos de ódio e revolta, agride, estupra e mata pessoas, sentindo-se aliviado e de bem consigo, mesmo quando realiza atos cruéis e violentos:

Quando satisfaço meu ódio sou possuído por uma sensação de vitória, de euforia que me dá vontade de dançar – dou pequenos uivos, grunhidos, sons inarticulados, mais próximos da música do que da poesia, e meus pés deslizam pelo chão, meu corpo se move num ritmo feito de gingas e saltos, como um selvagem, ou um macaco”. (FONSECA, 1997, p. 23)

Em outros momentos o narrador é capaz de extrema bondade, pois cuida da mulher inválida, proprietária da casa que mora. E ainda, em situações que se espera uma atitude agressiva, simplesmente releva, por se tratar de alguém sem condições financeiras. Ele possui também uma outra característica que desestrutura qualquer tentativa de estabelecer um padrão de comportamento: sua paixão por Ana, uma mulher integrante do meio social que o Cobrador odeia.

Tal postura é uma das características da sociedade pós-moderna, que atravessada por diferentes divisões e antagonismos sociais produz uma variedade de “posições do sujeito”. A união do Cobrador e de Ana é, também, a própria característica da desestruturação social, pois não é apenas uma união de amor entre homem e mulher, mas a união de classes sociais totalmente opostas.

No entanto, a aproximação dos dois não resolve o problema das diferenças, apenas destaca ainda mais a luta entre as classes sociais distintas e até mesmo dentro da mesma estratificação. Ana volta-se contra seu próprio grupo social e ainda ensina ao narrador novas técnicas de destruição, que matam mais pessoas em menos tempo.

O Cobrador e Ana não possuem uma identidade definida, identificam-se com alguns aspectos de suas classes sociais, e também, com a classe do outro. Ela volta-se contra seu grupo quando o conhece. Ele não deixa de ler o jornal para saber se foram publicadas suas ações criminosas, em atitude semelhante às suas vítimas que aparecem nas páginas sociais do jornal.

O vínculo entre violência e poder está, em “O Cobrador”, na luta interminável do narrador para se sobrepor à elite dominante, em que a elite seria a causadora da violência de sua exclusão social, porém com poder para extingui-la. Apesar de o Cobrador ser o causador da violência física contra as pessoas da elite, possui um poder destrutivo, mas justificado pela busca do respeito que não lhe é dado.

Um aspecto interessante a ser abordado neste conto de Rubem Fonseca, é a incorporação em seu texto dos meios de comunicação de massa. Em “O Cobrador”, temos referência a jornais cariocas, revista feminina de moda, rádio, cinema e televisão.

O narrador entra em contato principalmente com jornal, cinema e televisão; o primeiro ele utiliza como um meio de informação: "Leio os jornais. A morte do muambeiro da Cruzada nem foi noticiada. O bacana do Mercedes com roupa de tenista morreu no Miguel Couto e os jornais dizem que foi assassinado pelo bandido Boca Larga. Só rindo." (FONSECA, 1997, p. 18); entretanto, põe em dúvida a credibilidade desse meio de informação, ao mostrar, na última frase da citação, que não foi o “Boca Larga” quem matou o homem. No jornal escrito, busca ainda, saber o que a sociedade faz: "Leio os jornais para saber o que eles estão comendo, bebendo e fazendo" (FONSECA, 1997, p. 18); tem-se então, a evidência do objetivo principal do narrador ao ler os jornais: mostrar a diferença social e que fará vingança contra a burguesia que mantém essa distinção. A distinção está na notícia da morte apenas do rico da Mercedes e depois: "Os jornais abriram muito espaço para a morte do casal que eu justicei na Barra. A moça era filha de um desses putos que enriquecem em Sergipe ou Piauí, roubando os paus-de-arara, e depois vêm para o Rio" (FONSECA, 1997, p. 23); já a vingança está explícita quando, logo após afirmar que lê o jornal para tirar informações dos burgueses, o narrador diz: "Quero viver muito para ter tempo de matar todos eles" (FONSECA, 1997, p. 18).

O cinema é utilizado como um elemento de influência para sua violência:

Com o facão vou cortar a cabeça de alguém num golpe só. Vi no cinema [...] um ritual que consistia em cortar a cabeça de um animal, creio que um búfalo, num golpe único. Os oficiais ingleses presidiam a cerimônia com um ar de enfado, mas os decapitadores eram verdadeiros artistas. Um golpe seco e a cabeça do animal rolava, o sangue esguichando. (FONSECA, 1997, p. 16)

O narrador, então, tenta decapitar um homem com um facão, não consegue em um só golpe, mas depois de vários golpes seu intento é alcançado. Tem-se ainda, a referência em que uma mulher lhe pergunta se gosta de cinema e ele fica aborrecido, pois está lendo para ela um poema seu. É uma crítica ao meio de comunicação de massa, que está fazendo com que as pessoas deixem de entender a cultura erudita: "Ela corta perguntando se gosto de cinema. E o poema? Ela não entende" (FONSECA, 1997, p. 17).

A televisão também é um estímulo à violência do narrador. Porém, não por mostrar cenas de violência, como no cinema, mas por criar uma ilusão de que a vida é maravilhosa e sem problemas, direcionada principalmente para a classe burguesa:

Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. [...] Quero muito pegar um camarada que faz anúncio de uísque. Ele está vestidinho, bonitinho, todo sanforizado, abraçado com uma loura reluzente, e joga pedrinhas de gelo num copo e sorri com todos os dentes, os dentes dele são certinhos e são verdadeiros, e eu quero pegar ele com a navalha e cortar os dois lados da bochecha até as orelhas, e aqueles dentes branquinhos vão todos ficar de fora num sorriso de caveira vermelha. Agora está ali, sorrindo, e logo beija a loura na boca. Não perde por esperar. (FONSECA, 1997, p. 16)

O rádio e a revista feminina trazem a chamada de atenção para o fato das pessoas acompanharem a vida dos que estão em evidência social: "Eis-me de novo / ouvindo os Beatles / na Rádio Mundial/" (FONSECA, 1997, p. 18) e; "Essa fodida não me deve nada, pensei, mora com sacrifício num quarto e sala, os olhos dela já estão empapuçados de beber porcarias e ler a vida das grã-finas na revista Vogue" (FONSECA, 1997, p. 17).

O Cobrador é um homem que, ao mesmo tempo que critica o sistema social e os meios de comunicação de massa, quer fazer parte deles. Não como membro da elite, mas reconhecido como defensor da minoria marginalizada, eliminando essa elite e pondo seus atos nas primeiras páginas dos jornais. Tornando-se, assim, não apenas um mero representante da marginalidade, mas o vingador dos marginalizados: "Explodirei as pessoas, adquirirei prestígio, não serei apenas o louco da Magnum. Também não sairei mais pelo parque do Flamengo [...] escolhendo a árvore que eu queria ter, que eu sempre quis ter num pedaço de chão de terra batida" (FONSECA, 1997, p. 28).

Em "O cobrador", Rubem Fonseca produz curto-circuitos que desnudam personagens de todas as origens e pretensões sociais e põem marginais e figurões em pé de igualdade.

O conto "O Cobrador" foi construído evidentemente com base nos verso de Maiakovski: “Come ananás, mastiga perdiz / teu dia está prestes, burguês”. O próprio autor nos dá a indicação, pois seu personagem, tão imbuído de ódio aos burgueses, aos bem situados na vida, chega a exclamar antes de suas vinganças: “Come caviar / teu dia vai chegar”.

Como já vimos, este personagem, o Cobrador, não tem nada de revolucionário, é um revoltado que atua exclusivamente no plano individual, todo o tom é rebaixado, quando se compara o texto com os de Maiakovski. Os poemas capengas do “cobrador” estão aí para reafirmar isto. Sua vingança não vai além do assassínio frio e calculado e, antes de matar, suas palavras insistem numa exigência bem individual: "Tão me devendo colégio, namorada, aparelho de som, respeito, sanduíche de mortadela no botequim da rua Vieira Fazenda, sorvete, bola de futebol". Outras palavras suas antes de uma "ação": "Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!"

Fora destes momentos de exaltação, é um rapaz sofrido e sensível, que chega a dizer de si mesmo: "Sou uma pessoa tímida, tenho levado tanta porrada na vida". Sua relação com a velha dona Clotilde, de quem aluga um quarto, mostra bem o carinho, a ternura de que é capaz. Quando, porém, se assume como "o Cobrador", seu tom de voz adquire algo maiakovskyano, o maiakovskiano dos momentos grandiosos, hiperbólicos, mas evidentemente com outro timbre. Chega a dizer: "Onde eu passo o asfalto derrete".

O amor atinge o rapaz de modo completamente inesperado para o leitor, numa figura de moça da burguesia. E é completamente inesperado, também, o toque de erudição no seu monólogo: "Faço hora para ir na casa da moça branca. Chama-se Ana. Gosto de Ana, palindrômico". E, no desenrolar de seu romance, refere-se a ela mais uma vez como Ana Palindrômica. Outras alusões maiakovskianas são também evidentes no conto. Numa passagem ele diz: "Estamos no meu quarto, em pé, sobrancelha, / com sobrancelha, como no poema". Tem-se aí uma referência direta à Carta de Maiakovski a Tatiana Iácovlevla: "Na estatura / só você me ombreia, / fique, pois, / sobrancelha a sobrancelha, ao meu lado."

As ações individuais violentas do “cobrador”, no final, transformam-se em algo de maior amplitude, ele parte em companhia de Ana para executar morticínios; todavia, por mais que afirme: "Agora sei. Ana me ajudou a ver", em nenhum momento se vislumbra um revolucionário.

Portanto, em "O Cobrador", Rubem Fonseca descreve os pensamentos de um assassino em série que pratica seus atos por sentir que a sociedade lhe deve algo. Sua cobrança é destinada a qualquer infeliz que porventura cruze seu caminho. Sua forma de aumentar e não esquecer o ódio que sente é assistir pela TV o apelo incessante de uma sociedade cada vez mais consumista. No desfecho da história, o Cobrador encontra um sentido político para sua "missão". Ele percebe que seu ódio estava sendo desperdiçado e vaticina: "o meu exemplo deve ser seguido por outros, muitos outros, só assim mudaremos o mundo".
 1ano MB N*44


A Grande Arte

Parte I O narrador - protagonista Mandrake e seu sócio judeu Wexler mantêm um escritório de advocacia. Às vezes perdem suas causas, outras ganham (exemplo: o caso da cafetina Miriam). Recebem a visita da prostituta Gisela, ameaçada de morte por Roberto Mitry (tentara chantageá-lo com uma fita de vídeo). Não aceitam o caso por se tratar de chantagem. R. Mitry tenta contratá-los em seguida, para recuperar a fita; paga qualquer preço. No dia seguinte, Gisela aparece morta. Dois dias depois, sua amiga massagista Danusa - ambas estranguladas e com letra P desenhada a faca na bochecha. Alfredo (marido de Danusa) conta a Mandrake sobre a relação das moças com Cila (ou Laura Lins, dona da butique Messina e de um bom apartamento), aventureira que chegara do NE para "subir na vida".
Na casa de Laura Lins, alertado pela empregada do "sumiço da patroa", o detetive chama o delegado e amigo de faculdade, Raul. Arrombam a porta e acham Laura morta. Ao sair, Mandrake leva uma carta recém-chegada, através da qual descobre que ela tem um amante e uma amante: Rosa Leitão, casada com o vice-presidente do Banco Aquiles, mas não consegue localizá-la. Raul procura-a inutilmente na boate Lesbos, do anão preto José Zakkai, o "Nariz de Ferro", inescrupuloso, vaidoso e falador (cita constantemente pensamentos próprios, que atribui a escritores ou pessoas de renome). Mandrake e Wexler conversam sobre o passado de Mandrake e a situação do escritório (ausências contínuas do primeiro), quando chega Bebel, filha de Rosa Leitão, propondo-se a levar Mandrake até a mãe, que se escondera num sítio em Itaipava. Apesar de Wexler ser contra a idéia de Bebel para o tal sítio acabam indo. Passam a noite juntos e encontram Rosa no dia seguinte. Ela conta a história de Cila e o estabelecimento da relação entre ambas. Mostra ressentimento contra a amante morta e diz que não imagina quem a matou.
Talvez o amante "coronel". Rosa conversa com a filha Bebel. No jardim, Mandrake pensa em Ada, que quer casar-se com ele e ter filhos, e na gata Elizabeth, a "dona" do seu apartamento (o mundo precisa mais de gatos que de gente). Ele ama Ada, mas não consegue ser-lhe fiel. No Rio, sai com Ada para jantar. Na volta, são surpreendidos no apartamento por dois homens à procura da fita de vídeo. Um deles esfaqueia Mandrake no abdômen e sevicia (violenta) Ada com o cabo da faca. Os dois vão parar no hospital. Mandrake quer vingança. Pede a Hermes (ex-sargento do exército, que livrara da prisão) especialista no manejo de armas brancas, que lhe ensine a arte do Percor ("perfurar" e "cortar"). Ficam quites. Lê e treina muito. Deixa a barba crescer. Ada volta para a casa dos pais, em Pouso Alto. Uma semana depois, o namorado vai atrás dela. Volta sozinho, chamado por Raul. Identifica Camilo Fuentes (boliviano bruto, forte, que odeia brasileiros e é matador profissional) como o homem que os feriu (usava um cordão de ouro com um unicórnio, presente de Berta). Sem provas concretas, Camilo é libertado e viaja para a Bolívia. É seguido pela polícia federal, que pretende flagrá-lo traficando cocaína. Mandrake resolve segui-lo disfarçado.
No trem Mandrake encontra Camilo no restaurante com duas prostitutas, Zélia e Mercedes. Aproxima-se da Mercedes, a mais velha, quando os outros dois se retiram para a cabine. Apresenta-se como comprador de gado. Mercedes finge que acredita. Começa a informá-lo sobre o boliviano e acabam ficando juntos. Camilo Fuentes odeia os brasileiros, pois seu tio Miguel lhe contara que um deles havia assassinado seu pai. Desconfia de Mandrake e de Mercedes (bebe, mas nunca se embriaga). Odeia Rafael (o outro matador de aluguel, que o chama de China), mas vai encontrá-lo para tratarem de "negócios" em Quijarro e depois em Puerto Suárez. Encontram-se todos no "Dancing Days". Sentindo-se seguidos, adiam os negócios: Mateus manda Fuentes matar Mandrake e volta com Rafael para o Rio. Mandrake, após segui-los até o aeroporto, vai ao restaurante de Alberto e fica conhecendo sua história. De volta ao quarto, encontra Mercedes com o pescoço quebrado: ela fora descoberta por Fuentes, lutaram e ela o cegara, sendo morta.
Chama a polícia e depois acompanha o enterro. No cemitério, fica sabendo que Mercedes era agente federal e que ele, com sua bisbilhotice, estragara o plano da captura de Fuentes. De volta a São Paulo, antes de entrar no apartamento, na Av. São João, Camilo Fuentes procura o jornaleiro Benito, que o avisa que ele está sendo vigiado. Decide ir ao Rio e combinam um encontro no cine Marabá, daí a quinze dias. No Rio procura um oftalmologista, que lhe recomenda um transplante de córnea, pois não enxerga mais com o olho ferido. Conhece Míriam em um supermercado e gosta dela. Apesar de brasileira e ex-cafetina. Volta a São Paulo, mas encontra Benito morto no apartamento. Vai ao cine Marabá, onde percebe uma armadilha para pegá-lo. Mata dois homens, mas antes fica sabendo que foram contratados por Mateus ("queima de arquivo"), a mando do Chefe. Mandrake é procurado por José Zakkai ("Nariz de Ferro"), o anão negro, que lhe conta sua história: "Já cuspiram e cagaram em mim.
Ou eu morria ou virava essa maravilha que sou" (pg. 151). Por dever favores a Raul, o anão procura Mandrake e o avisa sobre a lista de "queima de arquivo" da Organização (tóxicos, diversões eletrônicas, mulheres, rede de fast-food e de pornografia). Fazem o jogo do "sim" e do "não", mas Mandrake deixa a última pergunta para outra oportunidade e não aceita a aliança proposta. Zakkai vai em busca de Camilo Fuentes e os dois se unem para enfrentar o Escritório Central (Org. Aquiles). Começa a "briga" entre Ada e Bebel por Mandrake. Parte II Inicia-se com um "flash-back" para explicar a origem da família Lima Prado e da Organização Aquiles. 1845: José Joaquim de Barros Lima nasce no Rio, filho de imigrantes portugueses. O pai é carvoeiro, mas o filho vira bacharel em Coimbra. Aos 42 anos casa-se com Vicentina Cintra, filha do senador Abelardo Cintra. Sua banca de advogado prospera com a abolição e a república. Trava amizade com políticos e escritores ilustres, mas tem uma frustração literária: não consegue ser reconhecido como grande poeta. Também se frustou como político: morre na véspera de tomar posse como ministro do S.T.F.(Supremo Tribunal Federal). Sua maior frustração provém das duas filhas, que não o amam: Maria do Socorro leva vida dupla: à noite veste-se de homem, chama-se Mário e freqüenta prostitutas em bordéis. Acaba assassinada por uma delas.
A outra filha, Laurinda, casa-se grávida aos 16 anos com José Prescilio Prado, de dezessete anos e sobrenome próspero. Após a morte do pai sustenta a mãe no Rio. Laurinda vive em São Paulo e tem três filhos - Fernando, Maria Augusta e Maria Clara. Torna-se patronesse das artes, recebe escritores, artistas e amantes, patrocina revistas literárias. O marido perde fortunas no pôquer e no vício (drogas), suicidando-se no aniversário de casamento (31 anos de casados). Laurinda vende sua mansão na Av. Paulista e muda para o Rio, com os três filhos: Maria Augusta casa-se com um "nobre" francês, Bernard Mitry, que a abandona e ao filho Roberto; Maria Clara era doente mental, uivava feito lobo e vivia presa no porão; Fernando, casado com Luísa Montillo, vive de um emprego modesto na prefeitura do Rio. Seu filho, Thales Lima Prado, guarda cioso um livro de 500 páginas sobre a vida da família Prado (Retrato de família, de Basílio Peralta, 1949) e sonha tornar-se escritor famoso. Enquanto isso, torna-se banqueiro famoso e presidente da Organização Aquiles.
Desde os 19 anos, a avó Laurinda, que o adora, dissera-lhe não ser ele filho de Fernando, mas de Bernard Mitry. Segundo ela, só Thales teria escapado do destino trágico da família Prado. Como presidente da poderosa organização, corrompe políticos, "lava" dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outros serviços escusos. Mantém hábitos estranhos e defende as idéias de Hitler e do nazismo. Ordena a Mateus a "queima de arquivos": o primo Roberto Mitry (fita de vídeo), Mandrake, Fuentes e o anão Zakkai, que ameaça seu poder. Rafael inicia o "trabalho" com R. Mitry, Titi e Tatá, duas ninfetas com quem este dormia depois de uma festa pesada" em seu apartamento. O crime triplo repercute na imprensa muito mais que as matanças nas favelas. No clube, Lima Prado conversa com um senador sobre "negócios" e sai para encontrar-se com Mônica, com quem faz sexo anal. Tornam-se amantes. Na verdade, Thales (ou Ajax) é filho de Fernando com a irmã louca. Daí a preferência da avó por ele. Pensa na loucura. Fuentes e Miriam querem começar nova vida. Ela conta a ele sobre o advogado Mandrake. Camilo e Zakkai encontram-se em um circo.
O casal muda para uma casa na ladeira Madre de Deus (tentando fugir). Camilo e Zakkai encontram Rafael em seu sítio. Torturam-no (comer barata) e o anão o mata com uma tesoura. Acham a fita. Zakkai assiste ao vídeo e liga para Thales Lima Prado, que combina um encontro: Hermes vai buscar a fita, mas é morto por Camilo Fuentes. Thales, acuado, suicida-se enfiando uma faca na axila. Deixa seus cadernos de anotações na mesa da cozinha, ao lado de uma garrafa de álcool. Mandrake é abandonado pelas três mulheres. Lilibeth, Bebel e Ada (que viaja com Wexler). Miriam visita o advogado para contar sobre a morte de Camilo Fuentes e para devolver-lhe o unicórnio de ouro. Mandrake decifra os cadernos de Lima Prado, que a polícia não conseguira entender, e soluciona a trama: Thales, em busca da fita, matou as prostitutas e marcou-as com o P. Rosa Leitão, que ascendera socialmente até se casar com o vice-presidente do banco e tornar-se amante do presidente da Organização, assassinou Cila por ciúme, ao flagrá-la com outra mulher. Todos os outros crimes foram atribuídos à "queima de arquivos". Zakkai assume o controle da Holding que controlava a Pleasure, a Fun e a Fastfood, separando-se do banco. Procurado por Mandrake, responde à terceira pergunta de Mandrake (O que havia na fita? - Nada, só risquinhos). Bebel volta para Mandrake. Falam de amor.

Personagens

Mandrake: narrador-personagem. Advogado com tendências a detetive, solteirão irresistível às mulheres, extremamente sedutor. Aprecia vinhos finos e charutos. Foi menino introvertido e solitário. Embora tenha fobia a sangue, inicia-se na arte do PERCOR (perfurar e cortar), mas não consegue encontrar-se na arte do amar ("amo aqueles que me amam"). Cinismo disfarça insegurança.
Ada: namorada "oficial" de Mandrake, corpo bonito e atlético, acaba desencantando-se e optando pela serenidade de Wexler.
Wexler: advogado judeu, sócio de Mandrake. Apaixonado por Ada, mantém-se ético até o final, quando sai de viagem levando Ada junto.
Thales Lima Prado: Chefe da Organização criminosa "Escritório Central", constitui-se no grande vilão do livro. Foi militar. Ao tentar escrever um livro sobre a família Prado, descobre-se filho incestuoso e sua personalidade começa a desintegrar-se na loucura. "Patrocina" a grande maioria dos assassinatos do livro, suicidando-se no final (como o Ajax mitológico).
José Zakkai (o Nariz de Ferro): Anão negro, feio e inescrupuloso. Sai do esgoto para tornar-se "uma maravilha". Vive citando pensamentos e atribuindo-os a escritores e filósofos, para simular erudição.
Ambicioso, torna-se o principal adversário de Thales, a quem trai para conseguir a direção dos braços da organização ligados ao tráfico, jogo e prostituição.
Roberto Mitry: primo de Thales, que o usava para desviar recursos ao exterior. Cultivava aberrações sexuais (sado-masoquismo). É assassinado na "queima de arquivos".
Camilo Fuentes: matador boliviano que odeia brasileiros. Esfaqueia Mandrake e sevicia Ada com o cabo de sua faca. Frio e cuidadoso, bandeia-se para o lado de Zakkai. Morre fuzilado (queima de arquivo).
Hermes: professor na arte do PERCOR, quando militar, assassinou um superior e foi defendido por Mandrake, a quem dá aulas para livrar-se da dívida. É morto por Camilo Fuentes.
Rafael: membro da Organização, é assassino cruel. Ao mesmo tempo, cultiva rosas. É assassinado por Zakkai, com uma tesoura.
namoradas de Mandrake: Ada, Bebel, Lilibeth, Berta.
prostitutas: Miriam (cafetina), Gisela, Danusa, Cila, Titi e Tatá...
mulheres arrivistas: Rosa Leitão, Laura Lins (Cila)
a família Lima Prado (avós, filhos e netos), de trágica linhagem.
Tempo

Embora procure seguir certa cronologia, apresenta vários cortes: em função das informações fragmentárias que o narrador vai recolhendo sobre os crimes; apresenta cortes cinematográficos e simultaneidade de cenas; há um grande "flash-back" no início da Parte II para que a genealogia da família Prado seja conhecida.

O Caso Morel

Rubem Fonseca
Primeiro romance do escritor, lançado em 1973, o livro mostra o embate de Paul Morel, um excêntrico artista de vanguarda, com o escritor Vilela. Morel está preso e é de sua cela que narra histórias que mesclam sexo, violência e reflexões sobre a arte, questionando a função da própria literatura.
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